quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Latino-americanos e caribenhos propõem novo organismo de articulação regional

Mylena Fiori
Enviada Especial

Costa do Sauípe (BA) - Na Cúpula da América Latina e do Caribe para a Integração e o Desenvolvimento, convocada pelo Brasil, os 33 países representados deram uma demonstração de que não aceitam mais ingerências dos países ricos. Tanto que estão dispostos a criar, em pouco mais de um ano, um mecanismo de articulação regional independente, uma espécie de organização dos Estados Americanos (OEA) sem os Estados Unidos e o Canadá.

O órgão – proposto pelo presidente mexicano, Felipe Calderón, que ocupa a presidência pro tempore (temporária) do Grupo do Rio – deve ser lançado em fevereiro de 2010, na segunda cúpula de chefes de Estado da região. O novo organismo multilateral já tem até nome: União Latino-Americana e do Caribe.

“[Um organismo] que nos permita verdadeiramente ter, não somente um esquema de cúpulas, mas uma organização com nossas próprias regras, nossos próprios sistemas de representação e integração”, explicou Calderón, em entrevista coletiva após o encerramento da cúpula, agora à tarde.

“Se possível, que avancemos na grande aspiração latino-americana, que é uma unidade real, formal, sobre bases políticas sociais, econômicas e culturais que dêem à América Latina a solidez de que necessita para, num mundo global, fazer valer sua própria identidade, sua própria força e suas próprias potencialidade”, completou.

A Cúpula de Sauípe foi a primeira reunião de líderes da América Latina e do Caribe sem a participação de poderes externos, como os Estados Unidos ou a União Européia. A partir de agora, os mandatários se reunirão a cada dois anos, conforme sugestão do venezuelano Hugo Chávez. Ministros da região se encontrão anualmente.

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