quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Economista avalia que Lula ao intervir no mercado conseguiu um efeito positivo

27/11/08 11h59 Aline Sêne
Da Redação

O economista e professor do curso de Ciências Econômicas da Universidade Federal do Tocantins (UFT) Francisco Esteves explicou que antes de falar sobre os distúrbios na economia internacional é necessário explicar que as causas da crise estão na inadimplência no mercado americano e que isto gerou prejuízos efetivos às empresas do setor de crédito imobiliário.

Para o economista, o fato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ter feito uma intervenção no mercado financeiro de forma preventiva surtiu efeito positivo para a economia nacional. “Além de que os bancos brasileiros não participaram do ‘boom imobiliário americano’”, frisou. Em relação ao Tocantins, Esteves explicou que está sujeita a realidade nacional, dólar caro e problemas nas importações.

“A crise americana é global”, avaliou. Esteves detalhou que esta turbulência econômica além de levar os investimentos estrangeiros a vender seus papéis no Brasil, de modo a amenizar seus efeitos, o que gerou a queda da bolsa e a operação em cadeia de venda de títulos, poderá acarretar outros problemas no mercado brasileiro.

Esteves advertiu que a valorização do dólar poderá acarretar inflação e queda nos preços das commodities, o que poderá em último caso afetar o Produto Interno Bruto. Para o economista o setor que mais sofrerá são as empresas importadoras de bens ou equipamentos.

“O que muda após a crise é a discussão acerca do intervencionismo do Estado no sistema financeiro ou não”, ressaltou Esteves. Mas, segundo o economista, como o governo é chamado para socorrer os bancos na crise e é rejeitado para controlar os fluxos de captial numa economia sem crise?

“O debate keynesiano nunca sumiu do cenário econômico”, afirmou Esteves. Ele acrescentou que ao analisar a economia mundial nota-se que os países ricos são keynesianos, e o que poderá se discutir, a partir dessa nova crise, será a intervenção do Estado no mercado financeiro. “E creio que isso não é uma discussão entre keynesianos e a Escola de Chicago”, considerou.

Em resumo, a discussão keynesiana é a teoria econômica criada por John Keynes que apresenta que o ciclo econômico não é auto-regulador, como pensavam os neoclássicos. Keynes colocou que o sistema capitalista é ineficiente em empregar todos, questionando a pleno emprego, e defendeu a intervenção do Estado na economia. Essa teoria surgiu com a crise de 1929, também nos Estados Unidos.

Último Segundo - As principais crises das bolsas mundiais ao longo da história:
- 1720: Quebra na Grã-Bretanha em dezembro, depois de uma onda de especulação que provoca a queda da companhia marítima do Sul e do banco Law.

- 1882: 'Crack" do banco católico francês Union Générale. Bolsas de Lyon e Paris despencam, França entre em crise econômica.

- 1929: Quinta-feira negra em Wall Street. No dia 24 de outubro, o índice Dow Jones da bolsa de Nova York perde mais de 22% em suas primeiras horas de sessão, apesar de se recuperar ao longo do dia e fechar em -2,1%. Em 28 de outubro cai novamente em
3% e no dia 29, em 12%. Essa crise obriga o fim da especulação da bolsa e marca o início da grande depressão dos Estados Unidos e de uma crise mundial que afeta especialmente a Europa.

- 1987: Wall Street desmorona no dia 19 de outubro depois da divulgação de dados que mostram um importante déficit comercial e um aumento das taxas de juros do Banco Central alemão. Em um dia, a Dow Jones perde 22,6% e outros índices registram importantes perdas, mostrando a interdependência dos mercados mundiais. Trata-se do primeiro "crack" da era da informática.

- 1998: Agosto negro na Rússia. O rublo (moeda do país) perde cerca de 60% do seu valor em onze dias. A Rússia vive uma crise econômica e monetária vinculada em parte à crise asiática de 1997.

- 2000: A bolsa eletrônica vive sua primeira grande crise. O índice Nasdaq, que concentra os valores de internet e de tecnologia, cai 27% nas duas primeiras semanas de abril e perde 39,3% em um ano. Essa queda repercute em todos os mercados vinculados à Nova Economia.

- 2001: Os atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos, que deixam mais de 3.000 mortos, provocam o fechamento da bolsa de Nova York durante uma semana. Em sua reabertura, o índice Dow Jones sofreu a maior perda em pontos de sua história, de 684,81 pontos.

- 2002: A falsificação das contas da empresa americana Enron e a fraude do grupo de telecomunicações Wordcom desestabilizam as bolsas do mundo. Os mercados registram quedas inéditas: Frankfurt perde -43,9%, Paris -33,7% e Londres -24,8%.

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